de repente senti preguiça. da sabedoria, do excesso de egocentrismo. do "eu sei de tudo". "nossa, como você sabe de tudo e, urg, como você é chato". deveria ter terminado o serviço e feito algo que o valesse. finaliza com isso aí. te jogas nessa mesmice que chamas de vida e acabes com tudo que tens guardado. não finjas mais. isto realmente é cansativo.
é meio cansativo ter de ficar explicando, e redimindo, e pedindo desculpas. finalmente tenho a sensação de que posso abrir as asas para um novo recomeço quando tu vens com papinhos antigos de "lembra quando fazíamos casinha de areia?". nunca tivemos de fazer casinha de areia, meu caro. casinhas de areia são mentirosas, assim como você e eu éramos: dois grandes mentirosos.
"Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis [...] um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. [...]" Não preciso ler Bauman todo dia pra saber que isso é verdade. eu não tinha nem segurança e nem liberdade. não tinha nenhum valor essencial indispensável. eu era apenas mais uma dispensável nesta vida dúbia.
coisa mais preguiçosa.
o que fez mudar é que eu tinha preguiça. preguiça de acordar, preguiça de olhar pro lado e ver alguém desconfiado, preguiça de estar desconfiada o tempo todo.
de repente, senti preguiça.
quinta-feira, 19 de março de 2015
toda mulher é vagabunda
Não me batam, feministas, mas esta é a grande verdade. Toda mulher é vagabunda. Ao contrário dos homens, que podem comer, festejar, acabar com a vida de inúmeras garotas durante sua juventude; a mulher - caso erre uma única vez, já é uma grande e inevitável promíscua de marca maior. Basta um único erro - mesmo que inconsciente, mesmo que contra a vontade - para que ela seja chamada pelos quatro cantos do universo (ou da cidadezinha onde mora, o que geralmente acontece) de puta. Puta! Você é uma puta! Você não vale nada!
Em uma época ou outra da vida, toda pessoa - e, acredite, isso inclui a mulher! - quer ser um pouco cafajeste. Quer ser ruim, seja em pensamentos, em atitudes, em palavras, sei lá, em qualquer coisa. E sabe, não há tanto problema nisso (a não ser que a vibe "Nazaré Tedesco" se torne perigosa demais e o ser em questão saia matando pessoas. Se chegar a este ponto, pare!). O ser humano aprende por erros e consequências. E, pelo amor de Deus, ninguém é perfeito. Seria um saco se todos nós fôssemos bonzinhos, anjos pisantes na Terra.
O fato é que, apesar do erro, não se pode pagar por ele o resto da vida. Nenhuma mulher - ou homem - é um monstro por ter feito alguém sofrer em um momento qualquer de sua existência. Lembre-se: este mesmo homem ou mulher já morreu de amores por alguém e - talvez não seja por isto, quis apenas se sentir melhor por alguns minutos. Pode ter feito merda? Pode, sim! Fazer merda vai resolver alguma coisa? Óbvio que não! Mas, e daí? Tem que apontar o dedo pra pessoa e dizer que "ela não vale nada, é um ser humano desprezível e que deve queimar no inferno o resto da eternidade?"
É fato que todos erramos: deve ser um saco tentar ser santo. Somos impulsivos, tomamos ações que, dois minutos depois, colocamos a mão na cabeça e dizemos "puta merda, eu não devia ter feito isso". Mas não se preocupe: nem mulher nem homem deve pagar por isto o resto da vida. Sabe aquela máxima de que o que esta feito, está feito? Pois é. Não adianta morrer. E você não precisa morrer - nem homem nem mulher.
O problema é que a mulher, em especial, paga por isso por muito mais tempo que o homem. Deus me defenda de o sexo feminino trair - mesmo quando o parceiro tenha feito uma puta sacanagem, tenha-a humilhado, tenha-a diminuído. Não adianta: a mulher tem de ser fiel até o fim. E se ela resolve dar uma errada - de novo, não estou dizendo que a traição é certa: não traia, se você não quer mais o dito homem, largue-o! - ela será atacada por todos os ventos. Podem passar quatro semanas, quatro meses, quatro anos. Sim, quatro anos! Sempre haverá alguém para lembrar que houve um erro e que um tratamento especial deve ser dispensado à Maria Madalena em questão. Tadinha da Madá.
Então, Nazaré's e Madá's da minha vida, caso alguém aponte o dedo para você diga que você não vale nada, se orgulhe. A pessoa também é uma vagabunda. Toda mulher é vagabunda. E isso, afinal de contas, não é tão ruim assim!
PS: Se você tiver numa fase meio "bad to the bones", sei lá, aproveite. Só não deixe se estender. Aí a culpa não é do sexo, a culpa é sua mesmo.
Em uma época ou outra da vida, toda pessoa - e, acredite, isso inclui a mulher! - quer ser um pouco cafajeste. Quer ser ruim, seja em pensamentos, em atitudes, em palavras, sei lá, em qualquer coisa. E sabe, não há tanto problema nisso (a não ser que a vibe "Nazaré Tedesco" se torne perigosa demais e o ser em questão saia matando pessoas. Se chegar a este ponto, pare!). O ser humano aprende por erros e consequências. E, pelo amor de Deus, ninguém é perfeito. Seria um saco se todos nós fôssemos bonzinhos, anjos pisantes na Terra.
O fato é que, apesar do erro, não se pode pagar por ele o resto da vida. Nenhuma mulher - ou homem - é um monstro por ter feito alguém sofrer em um momento qualquer de sua existência. Lembre-se: este mesmo homem ou mulher já morreu de amores por alguém e - talvez não seja por isto, quis apenas se sentir melhor por alguns minutos. Pode ter feito merda? Pode, sim! Fazer merda vai resolver alguma coisa? Óbvio que não! Mas, e daí? Tem que apontar o dedo pra pessoa e dizer que "ela não vale nada, é um ser humano desprezível e que deve queimar no inferno o resto da eternidade?"
É fato que todos erramos: deve ser um saco tentar ser santo. Somos impulsivos, tomamos ações que, dois minutos depois, colocamos a mão na cabeça e dizemos "puta merda, eu não devia ter feito isso". Mas não se preocupe: nem mulher nem homem deve pagar por isto o resto da vida. Sabe aquela máxima de que o que esta feito, está feito? Pois é. Não adianta morrer. E você não precisa morrer - nem homem nem mulher.
O problema é que a mulher, em especial, paga por isso por muito mais tempo que o homem. Deus me defenda de o sexo feminino trair - mesmo quando o parceiro tenha feito uma puta sacanagem, tenha-a humilhado, tenha-a diminuído. Não adianta: a mulher tem de ser fiel até o fim. E se ela resolve dar uma errada - de novo, não estou dizendo que a traição é certa: não traia, se você não quer mais o dito homem, largue-o! - ela será atacada por todos os ventos. Podem passar quatro semanas, quatro meses, quatro anos. Sim, quatro anos! Sempre haverá alguém para lembrar que houve um erro e que um tratamento especial deve ser dispensado à Maria Madalena em questão. Tadinha da Madá.
Então, Nazaré's e Madá's da minha vida, caso alguém aponte o dedo para você diga que você não vale nada, se orgulhe. A pessoa também é uma vagabunda. Toda mulher é vagabunda. E isso, afinal de contas, não é tão ruim assim!
PS: Se você tiver numa fase meio "bad to the bones", sei lá, aproveite. Só não deixe se estender. Aí a culpa não é do sexo, a culpa é sua mesmo.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
bia
Ela é forte. é capaz de destruir com a sua presença, com seu respirar, com sua vida. traz dor e cansaço, aliados à solidão. a solidão sempre está por perto quando bia dá o ar de sua graça.
Minha bia é igual aquela que levou o ator comediante, que ninguém acreditava que morreria tão tragicamente. sim, bia mata. ferozmente como uma bala na cabeça. de tristeza, de angústia, de euforia até. ela assassina por tudo.
Logo que descobri a presença de bia em meu organismo procurei pelos famosos que a tiveram. foram muitos, e muitos me eram heróis. Vicent van Gogh, John Nash - bem, esse era meio óbvio, mas ele mesmo disse que aprendeu a ignorá-la-, Edgar Allan Poe e até Beethoven. bem, parece que bia inspira. nessa época me senti quase que igual a eles, e quanta burrice!
bia tinha se calado por um tempo, mas veio avassaladora esses dias. quando sente o cheiro de solidão, se apossa do meu corpo como uma dama querida, mas nunca convidada. ela é bem desnecessária na maioria das vezes, e só sai quando bem entende. bia tem pensamentos próprios.
resolvi falar de bia por motivos que não interessam, apenas penso no quanto ela é triste e, embora inspiradora, seja tão egoísta. pensa apenas em si mesma, no quanto fará sofrer e que pode demorar o tempo que quiser, deixando um rastro de dor.
Ah, bia gosta de chocolate! e agora eu como mais chocolate do que deveria. não bastasse, bia faz os outros engordarem. ela é mesmo uma vadia.
Minha bia é igual aquela que levou o ator comediante, que ninguém acreditava que morreria tão tragicamente. sim, bia mata. ferozmente como uma bala na cabeça. de tristeza, de angústia, de euforia até. ela assassina por tudo.
Logo que descobri a presença de bia em meu organismo procurei pelos famosos que a tiveram. foram muitos, e muitos me eram heróis. Vicent van Gogh, John Nash - bem, esse era meio óbvio, mas ele mesmo disse que aprendeu a ignorá-la-, Edgar Allan Poe e até Beethoven. bem, parece que bia inspira. nessa época me senti quase que igual a eles, e quanta burrice!
bia tinha se calado por um tempo, mas veio avassaladora esses dias. quando sente o cheiro de solidão, se apossa do meu corpo como uma dama querida, mas nunca convidada. ela é bem desnecessária na maioria das vezes, e só sai quando bem entende. bia tem pensamentos próprios.
resolvi falar de bia por motivos que não interessam, apenas penso no quanto ela é triste e, embora inspiradora, seja tão egoísta. pensa apenas em si mesma, no quanto fará sofrer e que pode demorar o tempo que quiser, deixando um rastro de dor.
Ah, bia gosta de chocolate! e agora eu como mais chocolate do que deveria. não bastasse, bia faz os outros engordarem. ela é mesmo uma vadia.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
da aceitação
quando criança, era chamada de diferente pela família. não era nem aquela resposta dada, de que "possui uma beleza exótica". o título dado à garota era o de "feia", "escura", seguido de um comentário clássico: "sua prima é mais bonita que você".
por muito tempo, tentou ser aceita. tirava as melhores notas, era aluna modelo. mas de que adianta um bom histórico escolar se, infelizmente, ela nasceu com cara de índia. isso era uma vergonha para a família: ter alguém de olhos rasgados era extremamente constrangedor. "Imagine só, essa indiazinha é minha neta. nem parece ter meu sangue".
talvez não tivesse mesmo o sangue deles. talvez fosse alguém que apareceu de surpresa, numa família que não a aceitava, apenas para aprender. como uma flor de lótus que, para nascer mais bela, precisa de um pântano. o pântano era família. a flor, a força de vontade.
decidiu, portanto, que não faria mais parte desse parentesco. nunca fora aceita, nunca fora amada. então, para quê as mentiras, não? fingir que gosta não dá mais certo. amar obrigado não é saudável.
então, ela mudou de sobrenome, se aceitou como diferente, e seguiu feliz. para quê usar um nome conhecido, de uma família conhecida, se você nunca fez parte dessa família? não vale a pena. nomes são apenas nomes, e um dia você tem de deixar de usá-los. pelo seu próprio bem.
seguiu em frente, com todo um amanhã a descobrir e um mundo novo a sonhar. sem problemas. terá a própria família. indiozinhos, também. e sem o sobrenome maldito.
por muito tempo, tentou ser aceita. tirava as melhores notas, era aluna modelo. mas de que adianta um bom histórico escolar se, infelizmente, ela nasceu com cara de índia. isso era uma vergonha para a família: ter alguém de olhos rasgados era extremamente constrangedor. "Imagine só, essa indiazinha é minha neta. nem parece ter meu sangue".
talvez não tivesse mesmo o sangue deles. talvez fosse alguém que apareceu de surpresa, numa família que não a aceitava, apenas para aprender. como uma flor de lótus que, para nascer mais bela, precisa de um pântano. o pântano era família. a flor, a força de vontade.
decidiu, portanto, que não faria mais parte desse parentesco. nunca fora aceita, nunca fora amada. então, para quê as mentiras, não? fingir que gosta não dá mais certo. amar obrigado não é saudável.
então, ela mudou de sobrenome, se aceitou como diferente, e seguiu feliz. para quê usar um nome conhecido, de uma família conhecida, se você nunca fez parte dessa família? não vale a pena. nomes são apenas nomes, e um dia você tem de deixar de usá-los. pelo seu próprio bem.
seguiu em frente, com todo um amanhã a descobrir e um mundo novo a sonhar. sem problemas. terá a própria família. indiozinhos, também. e sem o sobrenome maldito.
domingo, 27 de julho de 2014
da revolta
Cavalos me dão medo. Sério. Não consigo chegar perto desde criança. Assim como tenho medo de papai noel, e de palhaço. Ai, nem quero pensar em palhaço. Mas hoje o medo de cavalos virou compaixão, virou desespero, virou apelo, virou tudo.
Fui cobrir a Cavalgada 2014, evento tradicional aqui em Rio Branco. É bonito e - acreditem, tem muita gente bonita. Na década de 1970, no governo de Wanderlei Dantas, houve uma grande divulgação do Acre e, com isto, uma intensa imigração de pessoas do Sudeste e Sul. À época, eram chamados pejorativamente de "paulistas", por segundo algum mais conservadores da cultura local, estarem tirando nossas tradições. Mas isso não vem ao caso. Não vou nem entrar no mérito da flora, porque aí daria muito pano para manga, para brigas partidárias e isso realmente me cansa um pouco a mente. Quero falar de uma das minhas maiores lutas: os animais.
A tal cavalgada reflete bem a cultura dos sulistas, o amor pelo sertanejo, o quanto respeitamos e aderimos hoje aquilo que ontem rejeitamos. Toma, Acre! De novo, isto não vem ao caso. O fato é que, ao fazer uma matéria sobre o evento, o que começou bonito - mais uma vez, um bando de gente diferente, com olhos azuis e cabelos claros andando pra lá e pra cá com berrantes e botas e roupas justas - não pude imaginar como seriam tristas as notícias que teria depois. Vi imagens de cavalos - que até então imaginava serem amados pelos fazendeiros que trouxeram essa cultura tão bacana para o Estado - tendo a língua cortada para poderem levantar por desnutrição. Vi surras e gente bêbada brincando com os bichos. E esporas, quantas esporas!
Não entendo para qual motivo vocês colocam chapéu e botaS de cowboy se não entendem o real sentido da cultura toda. Vestem-se de algo que não gostam apenas pela beleza do que não sabem, ou do rítmo que gostam de dançar. Aprendam, por favor! Sintam-se na pele do outro, mesmo que sejam cavalos. Imagem-se sendo expostos, com sol a pino, com sons alucinantes, e com mais de três pessoas no seu lombo. Bêbadas.
Imaginem-se na pele do outro, pelo menos uma vez. E sejam menos hipócritas. Com vocês mesmos.
domingo, 20 de julho de 2014
Voltando: do crescer
Virar
adulto é esquisito. Digo isso porque hoje eu tive plena e completa certeza de
que, inevitavelmente e irremediavelmente, estou me tornando uma espécie deste raro ser conhecido por sua chatice. Pior, isso se já não tenho tal qualidade e se já não me enquadro na categoria. Quando isso aconteceu? E por que comigo? Logo
comigo?
Me
pego preocupada com o rapaz barbudo que me divide morada, que já é conhecido entre os meus meus próprios como meu noivo. Noivo! Rá. Há dois anos isso era um sonho de
adolescente do qual eu ria, que me fazia bater no peito orgulhosa e dizer ao
mundo que o “casamento era uma instituição falida”. Hoje tenho uma lista de
convidados para uma cerimônia que já tem mês marcado, mas ainda bem que sem data definida. Ufa! Um resquício de adolescência. Lembrando que tudo isso apenas porque o mês em questão bateu com as "supostas" férias
de ambos. Se tivermos sorte (ou revés!)
Também
me vejo pensando no rapaz barbudo (de novo, ele!), e no quanto assistimos a jornais e – olhem
só que coisa horrível – não a desenhos. O que houve com os desenhos? Por que
nos interessamos tanto pelas notícias do mundo quando há uma infinidade de
animações por descobrir. Por que saber de economia?
Não
bastasse ter que trabalhar - e ainda fazer faculdade, porque no meu último momento
de infantilidade resolvi escolher um curso errado -, tenho de escolher um
emprego que me traz perigo, mas sensação de liberdade e importância (sem reclamações!). Óbvio que
o salário não é bom, mas né? Quem precisa mesmo pagar aquela conta de luz que
tá atrasada? Ou pagar a TV a cabo porque erraram o endereço de sua casa (óbvio que alugada)? E quem precisa de internet e luz porque definitivamente, ninguém sabe
onde você mora? E você tem que resolver tudo isso em dois dias. Lembre-se.
E
o cabelo branco! Por que mais um fio? Não, isso não existe! Eu sabia que minha
família por parte de mãe tinha tendência, mas confiava na força indígena do meu
parentesco paterno. E eu fiz luzes! Onde estão meus ideais rock’n’roll, que não me permitiam pintar
meu cabelo que não fosse cor de rosa ou roxo?
Fiquei
pensando tudo nisso num lapso de segundo. Que idade eu gostaria de ter agora?
Quinze? Dezesseis talvez. E o que mudaria se eu não tivesse tido aquele último
lapso de infantilidade e escolhido logo a profissão que me traria mais grana. Mudaria muita coisa e talvez não mudasse nada.
E
continuei ali, assistindo a novela que estava passando porque – como já disse –
a TV a cabo foi cortada. Rezando para ter tempo de ir aos inúmeros lugares que
precisaria comparecer sem falta no dia seguinte. Pagar as contas. De novo, as
contas!
Cabei
com esse papinho. Cansei. Virei velha e ficar velho é muito chato.
Em
tempo: Paguei as contas de luz, telefone, internet e TV por assinatura.
Agora estamos sem água.
terça-feira, 1 de maio de 2012
das cartas
Acho que há muito não tive a oportunidade de escrever algo que valesse. Não que agora eu vá escrever algo que o valha, mas tentarei. Tentarei porque acho que tenho a necessidade.
Depois do período de experiência mal sucedido, posso enfim, sossegar um pouco. Tomar um ares, pensar em coisas. pensar têm sido difícil, inclusive. Pensar tem sido extremamente doloroso.
E foi num desses pensamentos estranhos que me veio à mente, assim de repente, uma pergunta no mínimo estranha: será que as cartas que damos a alguém são, necessariamente dessas pessoas? Falo isso porque tive uma imensa vontade de postar as cartas que já ganhei. Cartas que me foram bonitas, feias, reveladoras. Mas que tinham uma história.
Tentei me lembrar de cada história por cada de cada carta. O Fernando Pessoa dizia que as cartas de amor são ridículas. Achei esse comentário idiota. (vejo uma pedra me acertando em 5...4...3...). Diga-me, qual a razão delas serem ridículas se elas demonstram o que nos é mais bonito?
Recebi algumas cartas de amor, algumas cartas de ódio, de desculpas. Algumas cartas apenas de comemorações, que não deixavam - de novo - de serem de amor. O amor é um daqueles lugares-comuns que não saem dos temas de uma carta. Estão sempre ali, a fazer presença, a nos fazer chorar quando simplesmente precisamos recordar.
Reli algumas delas como se as tivesse recebido. Foi bonito. Achei que deviam saber.
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